sexta-feira, 26 de novembro de 2010

"As Horrorosas Plataformas" por Leticia Pontes*

Quando mudei para Estocolmo em 2004, me senti obrigada a deixar para trás minhas queridas sandálias plataforma pois não eram muito aceitas pelos suecos, eles estranhavam ver alguém se equilibrando naquelas ”placas” de madeira, achavam exagerado!

Como não queria parecer ainda mais diferente do que eu já pareceria pois, sou brasileira tenho cabelos e olhos escuros e eles, totalmente diferente de mim, são claríssimos, pele, cabelo e olhos, aceitei o fato de não usá-las.

Eis que em 2006, quando trabalhava em uma famosa loja aqui no centro de Estocolmo, chegou a coleção de verão. E adivinhem quais as sandálias que faziam parte da coleção? Isso mesmo: sandálias plataforma. Fiquei tão feliz em ver minhas amadas ali, expostas na loja, à disposição das clientes!

E lá fui eu tentar vender as lindinhas… Só tentei, porque NINGUÉM queria comprá-las. As clientes, colegas da loja, todas torciam o nariz para as sandálias, ninguém conseguia ver sua beleza e graça! Ainda por cima achavam que o estilo plataforma era direcionado apenas para ”mulheres de vida fácil”, se é que vocês me entendem!

O mais engraçado era contar a todos o quanto essas sandálias eram famosas no Brasil e que até na areia da praia tinha gente que usava. Ninguém acreditava.

A liquidação de verão chegou e nem com 70% de desconto conseguiamos vender as plataformas.

Conforme os anos se passaram, o que pareceria impossivel aconteceu, as sandálias viraram moda em Estocolmo e morri de rir quando finalmente pude ver todas as blogueiras declarando amor incondicional às tão ”horrorosas” plataformas.

Engraçado que na moda aquela frase ”nunca diga nunca” se encaixou perfeitamente! Tudo é uma questão de entendermos a proposta do produto, da marca e da época.

O que não podemos fazer nunca é deixarmos nossa personalidade e valores de lado para nos encaixarmos em padrões pré estabelecidos, não é mesmo?

Selecionei algumas imagens de como as ”horrorosas” plataformas conseguiram se adaptar ao estilo de vida sueco:



E aqui, 2 exemplos de plataformas que continuaram reinando no verão sueco de 2011:

Rodebjer e Whyred - Primavera/ Verão 2011 - Foto Karolina Skande



* Leticia Pontes é Consultora de Imagem (www.leticiapontes.com), atua no mercado de moda e imagem desde 2006.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Do glamour da passarela para o guarda-roupa da vida real

Como prometido, continuaremos a série de apresentações sobre a São Paulo Fashion Week. Aqui você confere as principais grifes a serem adaptadas a realidade do dia-dia e para nosso corpinho real, que não é assim “uma Gisele Bündchen”. Indicamos também, onde e quando as roupas se encaixariam em situações do dia dia.

Para melhor entendimento dos formatos de corpo, comparei formas geométricas com silhuetas de pessoas reais para facilitar as associações das proporções.



CORI
Workaholic Elegante!
A Cori sempre se destacou por suas peças clássicas ao mesmo tempo modernas, fáceis de serem aceitas na vida profissional, a grife se especializou nessa cliente que é executiva, empresária, que tem uma vida profissional ativa e, através de sua aparencia, apresenta um show de elegancia e refinamento.





Código Visual da coleção: Moderna, bem sucedida, inteligente, feminina, criativa.

Nível de Formalidade Social da Coleção: CASUAL PROFISSIONAL- Transmite uma imagem de competencia, acessibilidade, cooperação, flexibilidade e descontração.

Onde usar? Indicado para quem trabalha em escritórios de marketing, relações públicas, publicidade, moda, arquitetura, jornalismo, design, empresas de RH, para reuniões e visitas a clientes que se vestem de maneira casual.


MARIA BONITA
Simples!
Como sempre, a grife vem em sentido contrário à dita "tendencia de moda", nesta temporada, apresentou em sua coleção um universo particular inspirando-se no Nordeste Brasileiro. São peças construidas em algodão e, acreditem se quiser, INOX! Pois é, os dois materiais juntos, proporcionam um efeito amassado e brilhante ao tecido. Lindo!
As cores claras, entre neutras e pastéis, lembram a temperatura quente e seca da região.
Com um par de chinelos nos pés, as modelos desfilaram ao som de Caetano Veloso.


Código Visual da coleção: Amigável, despretenciosa, alegre, tranquila.

Nível de Formalidade Social da Coleção: TRAJE RESORT- O traje típico de férias é composto por vestidos, saias, bermudas bem soltas e confortaveis, túnicas, blusinhas e regatas.

Onde Usar? é apropriado para eventos ao ar livre, churrascos, reuniões na praia, passeios de barco.



IODICE
Feminilidade à flor da pele!
A grife apresentou suas peças em materiais como couro e jersey cortados a laser proporcionando um efeito similar à renda, provocando delicadeza e transparencia numa estrutura naturalmente rígida. É a maravilhosa tecnologia!




Código Visual da coleção: Leve, romântica, feminina, glamourosa.

Nível de Formalidade Social da Coleção: TRAJE ESPORTE- São calças, saias e vestidos levemente rodados, blusas e camisas em tecidos tipo algodão, opacos.

Onde Usar? É apropriado para almoços, batizados, festas informais e eventos durante o dia.



GOSTARAM? QUINTA-FEIRA TEM MAIS!!!
Dúvidas e comentários são sempre bem vindos, não deixem de postá-los.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Do glamour da passarela ao guarda-roupa da vida real (SPFW)

A SAO PAULO FASHION WEEK temporada Primavera- Verão 2011 aconteceu entre 9 e 14 de junho em pleno inverno da cidade, ou seja, não havia a menor condição de usufruir das novidades tão acaloradas com seus tecidos leves e cores super claras e alegres no meio do inverno frio da cidade.

Passados 5 meses, vivenciando a primavera de novembro e a 1 mês do verão, mesmo com o clima desfavorável, já conseguimos abrir as portas de nosso guarda-roupa para receber aquelas peças tão esperadas da estação atual.

Tenho certeza que você, que não entende nada de moda e desfiles, deve estar pensando... “Que saco! Essas matérias sobre moda e tendência, são totalmente sem sentido pra mim!” . Para ser sincera, você tem razão de pensar desta maneira, a maioria dos sites e revistas que abordam o assunto, transmitem apenas a parte comercial da historia e para quem não entende, parece pura futilidade, mas não é...

O que precisaria ser esclarecido pelos veículos de comunicação é que, cada estilista cria para um determinado estilo, que pode ou não ser o seu e que nem todas as peças apresentadas nos desfiles pelos modelos, caem bem para todos os formatos de corpo.

Confira aqui as principais grifes que podem ser adaptadas a realidade do dia-dia e para nosso corpinho real, que não é assim “uma Gisele Bündchen”, também indicaremos onde e quando as roupas se encaixariam em situações do dia dia.

Para melhor entendimento dos formatos de corpo, comparei formas geométricas com silhuetas de pessoas reais para facilitar as associações das proporções



ALEXANDRE HERCHCOVITCH
Mínimal ou Máximal...?
Como todo artista contemporaneo, Alexandre deixou um ponto de interrogação ao final da apresentação de sua obra, ficamos na dúvida se se tratava de mínimal arte pelas formas geométricas e monocromáticas ou se, pelo fato das peças serem ricas em detalhes no tecido, mangas, maquiagem, acessórios, mesmo que discretos haveria um excesso... Fascinante! Gênio!!!



Código Visual da coleção: Transmite modernidade, inteligencia, ousadia, criatividade, poder.

Nível de Formalidade Social da Coleção: TRAJE RELAXED- O Traje Relaxed preza o conforto. São vestidos leves, saias e blusas soltas em tecidos opacos.

Onde usar? Relaxed é apropriado para almoços com amigos, cinema, barzinho descontraído e festas infantis.


ANA SALAZAR
Moderno ou esquisito?
Assim ficamos após o desfile de Ana Salazar. Em sua coleção, ela usa tecidos tecnológicos cortados a laser, desconstrói as formas, junta peças inimagináveis, aplica zíperes sem função. Algumas peças ficaram harmoniosas e algumas delas muito estranhas.


Código Visual da coleção: Movimento Dark, intelectualidade, agressividade, sexualidade.

Nível de Formalidade Social da Coleção: BALADA NOTURNA- O Traje preza a sensualidade ligada o conforto em tecidos tecnologicos, leves, transparentes e brilhosos. Para dançar e seduzir a noite toda.

Onde Usar? É apropriado para lugares fechados onde exista jogos de luzes coloridas ou até iluminação baixa, assim caracteriza o ambiente de sedução.

GOSTOU DESSA MANEIRA DE ABORDAGEM? SEMANA QUE VEM TEM MAIS...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Você conhece seu estilo?


Quem, assistindo a um vídeo familiar, já olhou si mesmo na tela da TV e ficou se perguntando: "Eu sou assim?" Essa indagação é mais comum do que se imagina.

O ângulo de visão que temos de nós mesmos está restrito ao espelho. Por isso nós não conseguimos nos observar andando, gesticulando, como somos de costas, dormindo, comendo, etc. Sem a ajuda do espelho, só conseguimos saber do nosso comportamento e nossa aparência através dos olhos dos outros, pois são esses olhos que nos enxergam em três dimensões: frente, lado e costas.

Temos uma noção vaga do que somos e de como é nossa aparência.

Podemos ser altos, baixos, médios, magros, gordos, sem pescoço, pescoçudos, largos, estreitos, grandes, pequenos, não importa, todos, sem exceçao, temos um estilo próprio. Porem, por não nos observarmos, desconhecemos nosso próprio estilo.

Estilo nada tem haver com moda pois não é modismo. Estilo é o que caracteriza cada individuo pela maneira de ser, viver, agir. Suas escolhas particulares, suas preferências, desejos, humores, sonhos e também suas fantasias. A moda é uma proposta da industria, o estilo é pessoal. Podemos comprar moda mas não o estilo, pois esse é construído conforme vivemos.

A consultoria de imagem propõe uma auto avaliação ate que se descubra o próprio estilo levando em consideração suas origens, profissão, modo de vida, saúde, proporções e desproporções do corpo.

A consultoria e bem sucedida quando a pessoa aprende sobre o próprio estilo e está diante das variadas ofertas e novas ideias do mercado da moda, consegue se impor, elegendo alguns itens e dispensando outros. Adquirindo apenas o que transmite sua personalidade.

Quem se conscientiza do próprio estilo se conhece verdadeiramente a ponto de fazer escolhas coerentes e sistemáticas. A aparência começa a fazer um depoimento de si mesmo com toda nitidez.

Não importa se sua loja preferida e a Gucci ou a Renner, o importante e combinar com seu estilo e ter um caimento perfeito equilibrando as proporções com as desproporções do corpo.

domingo, 7 de novembro de 2010

O Corpo

O corpo. Não se trata de matéria nem de estética, trata-se da história que cada um carrega consigo mesmo, que só esse, o corpo, pode mostrar.

É nele que está empregnado nossas escolhas, os caminhos que tomamos e como lidamos com os tombos da vida.

O tempo cronológico nada tem haver com o tempo da experiência. A cronologia é medida pela duração e a experiencia é medida pela sensação. Sendo assim, nós experimentamos o mundo pelo corpo: as cores, cheiros, o que comemos,  o que vestimos, o que vemos. O cerebro processa as infinitas sensações que o corpo recebe depois, a “alquimia”, a mistura, vai determinar o estado de espírito daquele
corpo.

A “Era do Culto ao Corpo” não existe, o que existe é a valorização da imagem de um corpo ideal,  produzida pela tecnologia,totalmente manipulável o que é totalmente inverso do corpo real. O que forma o“eu” é a integração do corpo com a alma/ espírito ou seja, uma pessoa que é gorda que tentou a vida toda ser magra e não conseguiu ainda não percebeu que esse é seu metabolismo e ser gorda faz parte do “eu” dela. Isso precisa ser valorizado por essa pessoa, pois é com esse corpo que ela construiu seu mundo, seu ponto de vista, sua noção espacial, suas experiências.

O corpo não pode ser maltratado para se chegar a um ideal inexistente, o corpo, precisa ser percebido, olhado, analisado, acarinhado, amado. Se o “eu” é a integração do físico + alma, quando cuido só do corpo não estou sendo eu mesmo, se cuido apenas da intelectualidade mostro um corpo  sem afeto.
O trabalho da consultoria de imagem é conduzir a pessoa ao auto-conhecimento. Proporcionar a integração corpo+alma e através disso vivenciar o “eu”, que é uma experiencia individual, única para cada ser.